sábado, 27 de novembro de 2010

O professor na pós-modernidade




Por Waldeci Moraes

   “Quatro coisas deve o educador ter sempre em mente: Os seus conhecimentos, a sua conduta, a sua integridade e a sua lealdade”  Máximas dos Anacletos, VII.

        
A busca pela compreensão do papel do professor e da função do ato de “ensinar” no universo educacional pós-modernidade, consiste no tema deste artigo. A construção de uma visão articuladas acerca de uma trajetória, e definição dos métodos de ensino e aprendizagem nos permite conceituar tal ação pelo prisma de uma profissão que a muito deixou de ser considerada para a sociedade como vital. A análise da função do educador através das transformações e das mudanças que ocorre com a dinâmica do mundo produtivo, social e cultural contemporâneo é peça fundamental para se estruturar um perfil de uma profissão produzida no interior da ciência e da filosofia. Profissão essa capaz de consumir conhecimentos, ou mesmo de reproduzir as práticas sociais, mas também capacitada a reconstruir críticas e ativar o conhecimento produzido no cotidiano social e histórico e, com isso, transformar a realidade político-social-hstórico na mais perfeita ordem.  


Sabe-se que o uso do termo “pós-modernidade” surgiu no final dos anos sessenta, para definir e conceituar um período do final da prosperidade do pós-guerra, na economia capitalista mundial. Encontramos palavras que definem esse mesmo conceito de momento histórico os seguintes termos: pós-industrial, pós-capitalista, pós-socialista, pós-burguês, pós-econômico, pós bem-estar-social, pós-civilizado.
       
No entanto, dentro dessa tão expressiva era, conceituava-se a compreensão do homem, como um ser sapiente ao nível das máquinas por ele criadas. Máquina no sentido de que o homem assimila o conhecimento e faz uso adequado do mesmo, empregando tais recursos aonde for mais necessitado. Mas essa compreensão passa a ser questionada pelas novas descobertas da ciência e gera resultados divergentes e conflitantes entre si. Estamos diante de um momento histórico do qual surge uma nova visão do universo.


Essa nova visão educacional deverá ser à base de construção universal do homem no conceito de uma nova sociedade, em uma nova era, solidada na realidade pura e simples das coisas.
Dentro desses parâmetros, tem-se na educação, a fé de que esses conhecimentos recém adquiridos serão melhores repassados a todos. Sabe-se que as habilidades requeridas pelos impactantes avanços desses conhecimentos, sejam nas áreas sociais, políticas, científicas, tecnológicas e culturais, em que o trabalho humano vem assumindo, impõem a necessidade de uma maior competência dos educadores para entenderem e interpretarem tais informações no sentido de priorizar essas mesmas informações e repassá-las nos seus devidos conceitos, assim como ensinar ao seu aluno o uso correto e preciso de tais conhecimentos

O perfil do educador na pós-modernidade

Parece claro que a educação, em geral, ponha-se a pensar nos rumos da profissionalização e formação dos profissionais na atualidade, haja vista que o ensino nesta área é tradicionalmente um conhecimento técnico, ou seja, reconhece-se amplamente a necessidade do profissional (no caso o educador), de ter sua formação continuada e ampliada, sob pena de que se tal atitude não for praticada, o educador não terá a mínima capacitação de exercer tal função, em frente às habilidades requeridas pelo crescente e monumental avanço, que o conhecimento vem adquirindo na atualidade.

Mais do que nunca, o educador não pode ser considerado como somente “aquele que leciona”, a de se pensar que sua ação não se limita a somente a uma sala de aula, que sua personalidade não é restrita a sua mera profissão de escolha, mas é algo mais substancial, algo como pessoa capacitada para o esclarecimento, para a lógica, uso da razão, aquele que é capaz de conceder ao sujeito (o educando), a capacidade de produzir e utilizar o conhecimento na sua mais perfeita formação, ou seja, para o bem comum e de seus pares, que implica na utilização e domínio do conhecimento e das áreas existentes.

Diante do exposto, pergunta-se: Até que ponto os cursos voltados para a educação refletem essa responsabilidade? De que forma essa “atualização” da formação docente está de fato capacitando os novos educadores no referencial educar para quem, e por quê? Sabe-se que o uso do termo “educar” não se remete a um simples caso de transmissão de conhecimento, é muito mais que isso. Faz-se necessário, que o educador como aquele que tem o individuo sobre seus cuidados, possua uma gama incontestável de conhecimento, assim como uma base inquestionável do mesmo. Os cursos educacionais, na maioria das vezes são questionáveis quanto aos seus conteúdos, não preparam os seus graduandos na capacitação para a docência plena, formando professores sem qualquer conteúdo, ou habilitação para exercer tal profissão. Daí que se formam verdadeiras legiões de “agentes” transmissores de dados, profissionais mecanicista, incapazes de emancipar alguém no que concerne ao sentido verdadeiro da palavra “educar”.

Portanto, é fundamental investir e avaliar permanentemente os cursos voltados para a formação docente, tendo em vista que dá capacitação plena de tais profissionais, dependerá o futuro de homens emancipados no verdadeiro sentido da palavra. É pertinentemente importante investir e avaliar das instituições de educação (mesmo que seja com a força da lei, visto que sem a mesma o que se obtém é um descaso total), o conteúdo, a formação e a metodologia aplicada na formação de tais profissionais.

A valorização da educação na pessoa do educador
Outro tema relevante trata-se da valorização da profissão do educador, tendo em vista que no caso do educador, devemos considerar também as várias dificuldades que ocorrem com esses profissionais após o término de suas graduações, onde os mesmos tendem a sofrer barreiras sistematizadas, criadas por uma sociedade que desvaloriza a educação e seu representante na pessoa do professor. Além da questão salarial, que já é do conhecimento de todos que o salário dos professores brasileiros e um dos piores do mundo, ainda se têm outros obstáculos que desafiam o profissional da educação atualmente como:
·         Indisciplina e violência nas salas de aulas;
·         Problemas comportamentais e familiares infanto-juvenil;
·         Preconceitos e estigmas sexuais, étnicos e sociais;
·         Imposição de métodos pedagógicos ultrapassados;
·         Condições de trabalho precárias;
·         Falta total de incentivos par uma especialização continuada;
·         Insegurança e crise de identidade quanto à função como educador;
·         Desvalorização pessoal por conta da imagem ruim que se têm do educador no referencial Educação-escola;
·         Despreparo e falta de conhecimento no referencial inclusão social na Escola;
·          Falta de apoio por parte de pais e alunos.
Enfim, esses são apenas alguns dos inúmeros obstáculos a se enfrentar na questão do profissional docente.

A metodologia educacional na pós-modernidade
Preocupados em oferecer um ensino de qualidade aos nossos discentes, devemos entender que a compreensão, assimilação e a utilidade do conhecimento educacional na metodologia ministrada pelo educador são fundamentais, e que se deve pensar, ou até mesmo buscar cada vez mais uma especialização continuada, assim como o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo e critico, como características essenciais para a formação do profissional capaz de atender as exigências contemporâneas.
O que é o “ensinar”? O que pode ser o ensino em um mundo em mudança? Para Paulo Freire (1960) formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destreza” O debate sobre o campo pedagógico-educacional, no Brasil, sempre esteve marcado pelas disputas entre concepções de ensinos, interesses de grupos sociais, correntes ideológicas e intelectuais e de constituições como o estado e a igreja (a católica principalmente).

 Segundo Paulo Freire (2010) “ninguém é sujeito da autonomia de ninguém”, ou seja, na questão educacional não devemos ser reféns de ensinos que não condizem com a realidade, apenas para sustentar interesses de alguns pequenos grupos que se perpetuam no poder. Dentro dessa perspectiva, falta ao método de ensino pedagógico-educacional debates em profundidades e sustentação teórica, chegando-se ao mesmo, na atualidade a um emaranhado de equívocos. 

Esta é uma das razões pela qual a discussão epistemológica da metodologia de ensino na educação, vem sendo uma ação de estrema importância, esteticamente correta e acima de tudo desejável a todos.
Portanto, este é um momento de reflexão sobre o espaço científico da metodologia de ensino, seja como ação reflexiva do fator educacional, seja como instrumento formador de cultura e opinião.

A educação como uma questão de princípios
A educação é, portanto, algo que devemos olhar com carinho e respeito. Devemos adotar o principio de que todos têm o direito de serem educados no sentido amplo e irrestrito da palavra, seja de forma clássica ou modernista, é irrelevante, o que é importante é que essa educação seja baseada na ética e moralmente voltada para a formação de um cidadão mais consciente e útil a sociedade a que é inserido.

Não podemos esperar indefinidamente que o Estado faça cumprir sua obrigação de dever, ou seja, que o mesmo venha proporcionar uma educação nota dez, pois todos sabem o quanto o estado não governa mais, o que se vê hoje em dia e um Estado que se tornou uma máquina cara demais para a sociedade e que já não é capaz de resolver os nossos problemas mais básicos.
As questões recentes em torno da falta de moral e ética, algo tão banalizado atualmente, são reflexos com certeza da falta de um ensino de base educativa e subvencional, sendo que a ação resultante dessa educação é muito duvidosa e totalmente inútil no referencial  educação emancipadora.
Ao educador, portanto, cabe às investigações recentes, por exemplo, a subjetividade, à cultura, à comunicação intersubjetiva, à reflexividade crítica, visando demarcar os elos entre a teoria educacional e as práticas pedagógicas. Com isso explicita-se o espaço da pedagogia como ciência da educação, em interface com outras ciências humanas, delimitando a prática do ensino como base de uma educação mais elevada.

A metodologia como produtora de uma educação mais positiva
Assim vão se esclarecendo algumas das respostas a uma das questões que tanto debatem os educadores contemporâneos, o que pode e deve ser o ensino metodológico educacional hoje em dia? Acreditamos que é a ação que organiza reflexões, conteúdo e práticas na direção das principais necessidades educativas, com bases em:
·         Qualificação da formação de docentes como um projeto-politico-emacipatório;
·         Organização do conhecimento prático e teórico na visão do educador;
·         Composições pedagógicas das teorias educacionais com práticas educativas;
·         Qualificações e transformações dos exercícios da prática educativa na internacionalidade de suprir práticas alienantes, excludentes e injustas, direcionando o indivíduo a um processo humanizante, formativo e emancipatório;
·         Articulação e composição do fator ético e moral no desenvolvimento formativo da pessoa do cidadão como personalidade.   
 A prática da docência como podem analisar, é a culminância profissionalizante onde confluem a sabedoria e as dimensões do ser humano, do criativo, do teórico, do pensar, do criticar, do analisar, do refletir, e do racionalizar, todos inerentes ao exercício da prática como fator culminante.
Por essas características é que essa profissão precisa ter na raiz de sua metodologia o caráter de formação e o compromisso de emancipação, para a formação de profissionais que dêem expressão critica as suas práticas, que será altamente qualitativa, produtiva e utilitária na formação humana do sujeito. Esses elementos de expressão profissional, também serão capazes de aprenderem, ao mesmo tempo em que ensinam os sentidos e significações de suas ações, para adequá-los, transformá-los, recriá-los e aperfeiçoá-los num contínuo exercício de produção do conhecimento nas práticas educativas.
O mais importante é compreender que não podemos que não podemos nos sentir dominados ou dominantes, mas que todos deverão viver harmoniosamente, educados e educadores. Pois não há liberdade sem conhecimento, nem conhecimento sem liberdade. Faz-se necessário que o dominado domine aquilo que o dominador domina para que haja harmonia.
O entendimento harmônico cultural entre os cidadãos dependerá particularmente da boa vontade de todos os envolvidos na questão, e do respeito mutuo que cada um desses elementos tenha para com o outro. O antagonismo é uma prática sadia na educação desde que se tenha o respeito pela opinião do outro, ou seja, alunos e professores terão que saber criar condições favoráveis para o crescimento social, emocional e profissional, independente das necessidades e limitações de cada um.
Muito se critica o educador, nos métodos, nas filosofias educacionais e nas didáticas como meios para transmitir os conhecimentos. Mas gostaríamos de esclarecer que pode não parecer, mas está constantemente se tentando e reformulando as práticas e a didática para que se obtenha um desenvolvimento pleno e qualitativo da metodologia educativa nas escolas, para que o educando possa desenvolver sua intelectualidade plenamente e ter oportunidades igualitárias.
Cabe ao educador nesses tempos de conhecimentos fragmentados, reunir e direcionar o saber de forma íntegro, imaculado e justo. Para que ao repassá-lo, obter de seus pupilos a compreensão harmoniosa do todo. Demonstrando assim recurso e possibilidades de enfrentar as dificuldades (que são chances também de serem aproveitadas e exploradas) inerentes as práticas educacionais.   

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